O Santos Dumont English Assessment (SDEA) é o exame que a ANAC usa para verificar a proficiência em inglês de pilotos, como pedem o Anexo 1 da ICAO e o RBAC 61. Ele avalia uma coisa só: se você fala e entende inglês em situações de trabalho, na rotina, no imprevisto e na emergência. A descrição oficial está na página do SDEA na ANAC, e o passo a passo para o candidato está nas instruções para os candidatos.
Abaixo você vê como a prova está organizada, o que acontece em cada parte e o que muda na forma de estudar quando você entende a regra da nota.
A primeira etapa do SDEA é uma entrevista oral de cerca de 45 minutos, gravada em áudio e vídeo, toda em inglês. Nenhuma outra língua é permitida na sala.
Há dois examinadores: um especialista em língua inglesa e um especialista da área (piloto ou controlador). Nesta etapa você conversa só com o especialista em língua, e os dois dão a nota. Quando eles discordam entre os níveis 3 e 4, uma terceira avaliação é feita.
Um detalhe que alivia muita gente: a sua fala não é avaliada pela precisão técnica ou operacional. O que vale é a língua. Se você inventar um procedimento que nenhum controlador daria, ninguém tira ponto por isso. Parar no meio da frase para acertar um detalhe técnico, por outro lado, custa fluência.
Parte 1, Aviation Topics (cerca de 5 minutos). Perguntas sobre a sua experiência, a sua rotina como piloto e a aviação em geral. Parece aquecimento, mas a nota começa na primeira frase. E é o único assunto que você consegue preparar inteiro.
Parte 2, Interacting as a Pilot (cerca de 15 minutos). Você é o piloto de um bimotor, com o indicativo ANAC 123. São cinco situações de radiotelefonia, cada uma montada com duas gravações. Você pode ouvir cada gravação duas vezes, mas precisa pedir a repetição como o piloto pediria, no formato do rádio. O problema chega por voz, como chegaria na cabine, e você tem de comunicar o que está acontecendo e a sua intenção. Depois, o examinador pede que você conte o que o controlador disse.
Parte 3, Unexpected Situations (cerca de 15 minutos). Você ouve três situações inesperadas, gravadas como trocas entre piloto e controlador. Cada uma toca duas vezes, sozinha, com uma pausa curta antes da repetição. Você relata o que aconteceu, responde às perguntas do examinador e, no fim, compara as situações: gravidade, soluções possíveis e prevenção.
Parte 4, Picture Description and Discussion (cerca de 10 minutos). Você descreve uma imagem ligada à aviação, responde perguntas sobre ela e depois discute os temas que ela levanta.
As anotações são permitidas nas Partes 2 e 3, no papel que o examinador entrega. O papel é recolhido e destruído no fim da Parte 3. Nada do que você escreveu chega à Parte 4.
Isso muda o treino: anotar o essencial (indicativo, nível, rumo, o problema) ajuda a recontar, mas a imagem da Parte 4 você descreve sem apoio nenhum.
A segunda etapa é opcional e serve só para quem tenta o Nível 6. A entidade examinadora a oferece em até 60 dias depois da primeira. Não passar nela não tira o nível conquistado na primeira etapa.
As Partes 2 e 3 são, no fundo, provas de compreensão vestidas de rádio. O momento em que você reconta o que ouviu é onde a compreensão aparece. Fraseologia bonita não compensa uma mensagem que você não entendeu.
Três hábitos fazem diferença nessas partes:
São seis áreas avaliadas, e o seu nível final é a menor das seis, não a média. Explicamos essa regra, e o que separa o Nível 3 do 4, em Nível 4 ICAO: as seis áreas e a regra da menor nota.
Nenhum curso dá nível ICAO, e nenhum pode garantir aprovação: só a ANAC e as entidades credenciadas avaliam e averbam proficiência. O que dá para fazer é treinar o formato até ele deixar de assustar:
Os materiais oficiais e gratuitos ajudam muito: as instruções e o teste de exemplo da ANAC, e a ANACpedia, o glossário bilíngue da agência. Use-os para a terminologia, e use a prática para o resto.